Foge que eu te encontro.

Não importa que sejamos sozinhos, qualquer coisa, a gente se encontra no caminho, nas vezes que você passar por mim. Então nossa solidão vai se transformar em duas, seremos nós, duas-solidões-não-sós.



'Até quem me vê na fila do pão, sabe.'

Eu falo com a maior certeza do mundo, e com toda sinceridade que vem junto. Se tem amor para mostrar, é para isso que eu sirvo. 'Comigo a anatomia ficou louca. Sou toda coração - em todas as partes palpita.' Minha mão só é quente com outra para fazer companhia. Meus dedos não tem serventia maior do que escrever o amor. Meus braços abraça-lo. Meu cabelo desarrumado pelas mãos dele, é muito mais bonito do que quando arrumado sozinho. Meus olhos não expressam nada melhor do que o amor. Meu nariz não sente perfume com tamanha facilidade, se não for o dele. Meu sorriso bonito, é meu sorriso de amor. Meu peito bate mais forte se for pra servir de colo. E, se elas existem, minha barriga é a casa delas, das borboletas do meu estômago. Minhas pernas sozinhas não fazem tanto sentido quanto quando estão entrelaçadas as outras. Meus pés então, quase congelam se ficarem sós. Meu corpo tomou posse do amor que tomou conta do meu corpo. Ele não sai mais daqui. Ele ri e chora, e continua vivo, batendo. Meu amor é o que movimenta meu corpo, e meu corpo é a casa dele.

Listen, please.

Talvez eu tenha encontrado a alternativa. Devo começar a escrever coisas para ninguém. Porque até onde sei, o que sei é escrever pra gente, qualquer um, qualquer pessoa que entenda, qualquer pessoa que esteja disposta a ler minhas palavras, que não leia simplesmente por ler. Que não seja como dizer. Porque, a não ser que eu queria falar pelo simples fato de falar, não posso mais dizer, não dá. Então é isso que me resta.
Pois ouvir... ouvir já está falho. Não funciona mais. Ouvir é quase uma ação extinta. Não se pode mais oralizar, não mesmo. É triste, eu sei, mas quem se atreve a ousar talvez já nem seja mais ouvido. E não é ouvir simplesmente, não é o simples fato de ouvir algo, é ouvir com o coração, sentir com os ouvidos. Qualquer coisa maior que isso. Seja lá o que for dito, quantas vezes forem precisas, que seja de dentro, que tenha valor. É necessário ouvir com cuidado, com apreço. Abraçar com os ouvidos. Essa é a ação quase extinta, que ouvidos gritam, imploram, suplicam e ninguém atende, ninguém ouve.

Day of Rock

Para o meu Dia do Rock não passar em branco. Jerry Lee Lewis!




Ps: Se o vídeo não rodar clica aqui!

Inverno.


Foram-se 18 invernos. Agora são 19.
19 invernos quentes, frios, engraçados, tristes, passados em branco, lembrados em colorido, bem colorido. Foram-se os invernos de apenas um algarismo, invernos que eu não via a hora de chegar. Foram-se as festas no quintal, as músicas da Xuxa, a dança da cadeira. Vieram então as preocupações e as partes confusas que acompanham invernos de dois algarismos. As lágrimas, os sorrisos, as espinhas, o cabelo, os meninos. Mas ambos, um ou dois algarismos, apesar das diferenças, me dão mais vida a cada ano. A cada inverno. Como presente, mais sabedoria e mais criancices, pra adoçar o que vem amargo, para melecar o que já vem doce. E o melhor de tudo: são apenas 19 invernos, 19 anos, e eu já tenho histórias para contar.